"Close your mouth, please, Lily. We are not a codfish."
Já advinharam?
Falo-vos da famosa baby-sitter cujos peculiares métodos para resolver problemas incluem "colheres de sopa de açúcar". Mary Poppins, um dos maiores e intemporais espectáculos musicais. A palavra espectáculo ganhou a noite passada todo um novo sentido. Doravante cuidarei de categorizar de espectáculo com maior atenção e reflexão. É o mínimo que a fantástica produção de ontem merece.
O elenco é absolutamente formidável. As palmas concentraram-se, naturalmente, na actriz principal, no papel de Mary Poppins, que para mim tinha a tarefa de se comparar à maravilhosa e premiada Julie Andrews. Não me desiludiu. Mas a aclamação concentrou-se também nas duas crianças, no papel de Jane e Michael, e na Miss Andrews, cuja curta prestação se concentrou na sua enorme voz e projecção que conquistaram toda a sala, apesar do ar pouco simpático - mas extremamente cómico - da sua personagem.
Uma boa peça de teatro é feita de bons actores. Mas um musical é feito de muito mais. O guarda-roupa é completamente soberbo, não fosse esta produção fruto de uma parceria com a Disney. Os cenários giratórios, de casas gigantes a emergirem do palco, de estrelas incorporadas em casacos dos personagens, e projecções interactivas - com que o Bert nos ilude na famosa cena de pintura no parque. As ilusões de vassouras voadoras, portas que se fecham e abrem com um olhar de Mary Poppins, ramos de flores a surgirem do nada, músicas que nos desafiam a olhar para o céu e luzes que apontam estrelas para o público. Tudo isto com um jogo de luzes e coreografia que não nos deixam ver um único fiozinho que quebre a magia. E viajamos com o chapéu para um universo onde tudo é possível.
[A única coisa a apontar são as falhas nas legendas em inglês, que muitas vezes não estavam sincronizadas com o desenrolar da acção. Mas o que importa isso para alguém que sabe as falas de cor? E garanto-vos que a imersão é de tal forma intensa que o facto de acontecer numa das mais díficeis línguas do mundo torna-se secundário.O que a torna "practically perfect in every way".]
Quando chega a hora de Mary Poppins partir e achamos que já vimos de tudo, a peça encerra com a Mary Poppins a "voar" por cima do público, levando miúdos - e quem é que eu ainda estou a tentar enganar? - corrijo: levando TODA a sala ao rubro. Eu acreditei que isto estava a acontecer. That's quite something, hun?
A sala de espectáculos acolhe ainda musicais com nomes tão sonantes como eles próprios. Mamma Mia!, Cats e O Fantasma da Ópera são alguns dos cartazes que convidam todos os que passam por Budapeste a esta experiência magnifica da Broadway no Leste Europeu.
E por mais que eu o tente descrever, não há palavras suficientes. Ou talvez exista uma em particular...




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