Depois de muitas ameaças, o meu computador procurou o descanso eterno. E com ele, por enquanto, foram todos os arquivos e fotos que tinha. Portanto não tenho as fotos dos primeiros passeios para as partilhar aqui com vocês. As que tenho agora são pouquíssimas mas irei fazer um post para as mostrar.
Ficar sem computador noutro país não é bom. Não sei se já experimentaram, mas não é. Não desejo isso nem aos meus inimigos. (Ou se calhar desejo um bocadinho.)
É horrível. Levei o meu bebé a uma loja de reparações que um português que conheci umas semanas antes me aconselhou, por falarem inglês. Lá ouvi o que não queria. "Não vale a pena. Compra outro. Este está mais que acabado e não vale a pena reprá-lo. Será caro e temporário. Muito, muito temporário", disse.
Perguntei-lhe onde me aconselhava comprar um substituto com maior urgência possível. Trabalhar para o curso e escrever artigos no meu telemóvel era completamente impossível. O computador é a minha ferramenta principal de trabalho. E não podia passar muito tempo sem ele. Só de tocar no ecrã do telemóvel para responder a mensagens já me deixava os nervos em franja.
"Na Hungria? Não compres na Hungria. Os computadores aqui são muito caros porque temos uma taxa para a informática...", respondeu-me. E continuou. Mas o meu cérebro estagnou no "não compres na Hungria". Como não compro na Hungria?! Vou comprar à Croácia? "Sim, por exemplo. Ou Áustria", acrescentou. Teimosa, decidi experimentar a minha sorte num par de lojas, incluindo a Media Markt. Oferta? Inexistente. Não encontrei 1/4 dos modelos e marcas que se encontra na Fnac ou Worten - ou mesmo Media Markt Portuguesa. E os preços? Inflaccionados. Não faz sentido.
Drama, drama later e com uma boa ajuda de uns amigos e do meu irmão lá consegui encontrar o modelo ideal. O génio da informática da família, o Ed, tratou de o preparar para mim e apetrechou-o com tudo o que eu precisava.
A minha mãe apretrechou a caixa com uma bandeira e o meu pai enviou-o. Com o aviso de que chegaria no dia seguinte. Acordei por volta das 7 horas da manhã e não aguentei o nervosismo do serviço de entregas húngaro e um estado de facebook de um professor da faculdade partilhado na noite anterior (talking about timming) sobre o
mau funcionamento de empresas de distribuição vs o serviço de CTT - no qual eu me tinha recusado a confiar - e fui para a rua, esperar o carteiro. Literalmente. Sentei-me no chão do outro lado, com o coração aos pulos cada vez que via uma carrinha de entregas ou alguém com caixas.
É complicado. A minha morada diz apartamento número 31, a campainha tem outro nome e toca através do 24. Como é que o carteiro ia saber disto?! E ninguém ia recusar um computador novinho, certo? À distância de uma assinatura. Quatro horas e meia depois vi finalmente um rapaz a dirigir-se com uma caixa nas mãos ao número 11 da rua. Atravessei a estrada a correr, cheguei ao pé dele e perguntei-lhe: "Liliana?"
Olhou para o papel que trazia consigo durante dois segundos. "Yes!".
Foi o "yes" mais reconfortante que ouvi até hoje. Peguei na caixa, assinei, troquei umas peocupações de cliente satisfeita e corri quatro andares até ao apartamento.
Pulei e cantarolei alto de alegria. Ninguém me percebe, de qualquer das formas.
Chegou são e salvo. A bandeira também.
9 de Junho de 2014