Como devem calcular, depois deste aviso antecipava o pior. E ainda bem que o fiz, para deixar espaço para que o meu queixo caísse quando vi o que se seguiu. Assim que saio do aeroporto e me encaminho (a mim e aos 5 mil kilos que transportava comigo na bagagem - a balança dizia 35, mas eu tenho a certeza que eram 5 mil) na direcção dos táxis, sou reencaminhada para uma pequena cabine, como de um sistema de venda de passes de metro ou autocarro se tratasse... mas para táxis! Prontamente, o funcionário saúda-me com toda a energia do mundo - ou talvez eu é que não tivesse nenhuma, uma vez que o relógio apontava cinco horas da manhã. Tentei um Jó regglet Kívánok (boa noite), mas só me saiu um szervusz (olá) e limitei-me a mostrar-lhe o papel onde tinha anotado a morada. Eis que a magia acontece. Entrega-me um recibo, com a partida e o destino designados e com a quantia que eu iria pagar no final da viagem, na moeda local. "Será algo à volta de 25€, no total. Bem-vinda a Budapeste", despedindo-se. Ao entrar no táxi, tento mostrar novamente a morada, já meia amarrotada. O taxista recusa da maneira que consegue, verbalizando-se num "end". Olho para o lado esquerdo do volante e espreito um GPS, para onde a informação do destino já tinha sido enviada. A viagem faz-se sem confusões, simples e rapidamente. Reconheço a rua das vezes que a espreitei no Google Maps. Chegámos. Cheguei.
Oito lanços de escadas depois e sem elevador, chego ao apartamento. O quarto corresponde às expectativas e respiro de alívio. É três vezes maior do que o meu último quarto em Lisboa (thanks Karma, I've been a good girl last year).
A vontade de me atirar para a cama é maior do que ela e agarro nos dois cobertores do voo da TAP (que se transformaram um colchão vazio, na cama mais fofa e confortável de sempre). O cansaço ameaçava só me deixar acordar dois dias depois, mas a persiana estragada de uma das janelas não o permitiu.
Fui à procura dos supermercados mais próximos (entretanto descobri que fui na direcção totalmente errada), para chegar às seguintes primeiras impressões:
- Há lojas dos chineses em todo o lado
- Continuo a achar que os melhores super e hipermercados do mundo são portugueses
- Não há variedade de oferta
- Não há salsichas em lata! Apenas em plástico, à semelhança de Itália
- A fruta e os vegetais são mais caros
- NÃO HÁ PEIXE. Não se encontra. O mais aproximado que consegui foi uma caixa de douradinhos
- A distribuição do pão é assim um pouco a caminhar para a falta de higiene (um dia explico, com ilustração a acompanhar)
- Os noodles instantâneos continuam a ser os meus melhores amigos nos dias de preguiça (que são quase todos) e custam menos de 30 cêntimos!
- A moeda é uma confusão. O mundo devia usar todo a mesma moeda.
- Demoro 4x mais do tempo normal no supermercado para perceber quanto é que estou a gastar em euros.
Passo o resto do dia a limpar o quarto do meu jeito e a desfazer as malas. Tive a ideia genial de armazenar tudo em vácuo para conquistar espaço na mala - podem imaginar como é que a roupa estava. Damn you, horas a passar a ferro.
Eis que me atinge: Ferro? Espera. Não há ferro cá em casa? Pronto, arranjei o meu programa de domingo. Encontrar um ferro de engomar. Domingos a passar a ferro? Já me sinto em casa.

Já partilhei contigo o meu desagrado pela viagem aborrecida de taxi... mas parece que depois os supermercados compensaram :P
ResponderEliminarComo não há peixe? Essa população deve estar podre por dentro!
E essa persiana é um killer... a experiência não será a mesma.