Aqui, o preço do azeite ultrapassa 5€ por uma garrafa de litro. Questionei a minha colega de casa sobre um local onde pudesse encontrar mais barato e perguntei-lhe onde comprava o dela.
"Não compro. Só uso óleo, porque o azeite para nós é muito caro".
Caiu-me o mundo. Então e agora? Não vou fazer os meus refugados em óleo! Aliás, eu nem sequer compro óleo e uso o azeite para fritar!
O azeite era um "luxo" (se a Isabel Jonet lesse isto ia bater palminhas) que eu não conseguia dispensar durante quatro meses. "Nunca pensei em sentir-me mal por usar azeite. Durante a nossa conversa senti que estávamos a falar de caviar e que me diziam "com tanta fome no mundo, como é que consegues gastar tanto dinheiro em comida?"
No dia seguinte acabei por dar 1700 HUF por uma garrafita de azeite. Hoje, durante o jantar, peguei na garrafa para temperar as batatas com o azeite. Ora, como todos nós fazemos. Batatas, peixe, e, no meu caso, até mesmo os legumes (cenouras, bróculos e outras leguminosas que eu ando a comer, muuuuito, está bem, mãe?). A expressão que ela fez foi qualquer coisa entre o choque, o susto, a ofensa e a maravilha de estar a ver algo completamente diferente.
"O que é que estás a fazer?!", interrompeu-me ela, em choque.
Olhei para a mesa para confirmar se estava a entornar alguma coisa - algo completamente natural na minha pessoa, como muitos de vós saberão.
"Como é que consegues...por assim... o azeite... CRU?! na comida?!", continuou ela.
Fiquei sem jeito. Ela nunca tinha visto ninguém temperar nada com azeite. "Saladas, sim. Mas não batatas!", explicou-se.
Acabámos por nos rir das nossas diferenças.
Os choques gastronómicos começaram.
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